A arte de Vincent Locke.



O artista de Michigan, Vincent Locke (ou Vince, como queiram), começou sua carreira nos quadrinhos em 1986, e vê-se que estreou muito bem, ilustrando o celebrado (e premiado) "Deadworld", para a Arrow Comics e depois para a Caliber comics. Dono de um traço convidativo e que parece se adaptar ao sabor da cena, Deadworld logo se tornou o maior sucesso underground (desde que perguntaram, com genuína sinceridade, o que havia na água de Robert Crumb).

Seus talentos ilustrativos atraíram o olhar de além do meio das pequenas editoras. Um dos que perscrutaram os traços de Locke foi a DC Comics, que logo fez do artista um dos arte-finalistas do arco "Vidas Breves" (1989) do icônico Sandman, obra que instantemente colocou Neil Gaiman no pináculo do panteão sagrado da sétima arte ocidental.


A participação no rodízio de artistas de Sandman, torna Vince Locke uma das bem lubrificadas engrenagens que formariam a Vertigo, montada pela visionária Karen Berger. No clássico selo, que por um saudoso tempo simbolizava um novo fôlego de vanguardismo nos quadrinhos adultos, Locke ainda faria a arte final de Bruxaria - La Terreur, segunda parte da série Witchcraft de James Robinson.


Como um meliante reincidente, Locke deixou suas digitais em séries que não só formaram os lados e arestas da Vertigo, mas também nos próprios vértices do selo, como Hellblazer (mais exatamente Hellblazer - Love Street) e American Freak: A Tale of the Un-Men, onde é responsável pela arte, onde, junto de Dave Louapre, resgata do ostracismo,

ao mesmo tempo expandindo, a galeria de personagens de O Monstro do Pântano, os Não-Homens, criados (e miseravelmente pouco aproveitados) por Len Wein e Berni Wrightson. E se você é daqueles que não consegue estender raízes além do Monstro do Pântano de Alan Moore, eu acuso você de estar redondamente certo, todavia, se o roteiro Dave Louapre em American Freak é tão excitante quanto cheirar clorofórmio, o traço empático de Locke acaba justificando a existência da mini-série.


No "universo regular" da DC Comics, o destaque, novamente na arte final, vai para o arco "Destruidor de Mundos", de J.M. Dematteis, Michael Zulli, publicado a partir do n° 33 de Legends of The DC Universe (em 1998, e aqui no Brasil, na finada Dark Heroes, da Brainstore Editora).

Sua contribuição para "a outra grande", a Marvel Comics, é bem parcimonioso (ocasionalmente a Casa das Ideias sofre de bloqueio), mais especificamente para o Amigão da Vizinhança, em "Toque de despertar" (publicada em Homem-Aranha n° 11, 2002), onde dividiu a arte com Michael Zulli.


Sempre tive a impressão de que a nata do quadrinho anglo-americano, obrigatoriamente, passa pela 2000 AD, a publicação que praticamente é a flâmula sempre tremulando nos ventos da HQ independente. Sua arte deu forma a variados contos, tanto na Judge Dredd Megazine, como nas revistas-irmãs Tharg's Future Shocks, Tharg's 3rillers e Judge Dredd (cujo conto "O Estripador de Sexaroides", pode ser conferido em Juiz Dredd: Assassinos Seriais, da Mythos). Porém, talvez sua maior distinção seja a bela e movimentada capa para a prog 1541 de 2000 AD, com foque para o personagem Defoe, o desiludido caçador de zumbis da Inglaterra de Oliver Cromwell, de um alternativo século XVII. Na capa em questão, fica evidente a meticulosidade em uma ilustração permeada de agilidade, e, para olhos mais rescaldados, uma revisitação visual a Deadworld, onde os notáveis talentos criativos de Vincent Locke ganharam vida.


Com certeza, em uma visão generalizada (e sem nenhum demérito) a maior mostra de desenvoltura do ofício deste artista é a graphic novel A History of Violence, escrita por John Wagner (co-criador do Juiz Dredd), lançada pela DC Comics em 1997, para a coleção de altos e baixos, Paradox Graphic Mystery, essa história épica de um homem e seu passado, antecede o clima cínico e violento de narrativas como 100 Balas e Escalpo. Em 2005, A History of Violence, foi transformado em um filme (Marcas da Violência, no Brasil), dirigido pelo diretor, algumas vezes elogiado e sempre incompreendido, David Cronenberg, que tomou certas liberdades com o roteiro de Wagner, isso não tirou o reconhecimento que película ganhou no Festival de Cannes e Sundance (com Vince Locke como palestrante convidado), e significativas indicações no Oscar (incluindo melhor roteiro adaptado), e, sobretudo, acabou despertando o interesse de um público não leitor de quadrinhos pelo tomo, que no mesmo ano foi laureado com o espanhol Prêmio Haxtur (categoria Melhor Longa História), e no ano seguinte foi indicado ao Prix du Scénario, do Festival d'Angoulême.



Vincent Locke é muito aclamado por outro nicho de arte, a música, particularmente tendo criado o design do logo da banda estadunidense Cannibal Corpse, e aquarelas ultra violentas que foram usadas como capas dos álbuns da banda, praticamente cobrindo toda a sua discografia, que, convenhamos algumas destas capas representam melhor a proposta da banda que algumas de suas músicas, mas não desviemos do assunto.



O clássico RPG, Forgotten Realms (no Brasil, Os Reinos Esquecidos, que ,sinceramente, nunca é chamado por esse nome), da Wizards of the Coast, cujos cenário da campanha da terceira edição (e 3.5) de Dungeons & Dragons tem parte dos interiores com gravuras de Locke. Suas ilustrações pintadas e designs também podem ser vistos

em várias capas e cenário da White Wolf e Onyx Path Publishing, tais como edições revisadas e especiais de "Vampiro, A Máscara", "Lobisomem" e "Orpheus".

Afora tudo isso, Vince Locke forneceu ilustrações para o "Weird Erotic" de "Frog Toes and Tentacles and Tales", da autora de fantasia sombria Caitlín R. Kiernan, para a série de livros "Woeful Platypus". Estas obras de arte em preto e branco chamam a atenção por fugirem do costumário feito por Locke, que aqui, deixa seu traço vagar para algo próximo do estilo do prolífico vitoriano, e expoente da art nouveau, Aubrey Beardsley.

Locke, a partir da última década, tem sua marcha de trabalhos bem seleta e reduzida, desenhando esporadicamente, concedendo seu trabalho para afortunados projetos, que incluíram ilustrações da primeira edição da Polluto: The Anti-Pop Culture Journal, robusta e bem acabada publicação de artigos culturais organizada por um coletivo de autores de vários meios, como Jeff VanderMeer e Rachel Kendall.

Vincent Locke é um dos grande envolvidos no ambicioso projeto de Jasmine Aliara, "Lyraka", ópera metal wagneriana com suas dimensões questionadoras e filosóficas se estendendo ao âmbito do multimídia. Mesmo com seu trabalho na nona arte tendo diminuído claramente, não se pode dizer que seu comprometimento com a mesma amornou, obras pontuais e elogiadas, a exemplo da bela graphic novel de ficção científica da Top Shelf Productions, "Junction True", e "Saint Germaine", pela Image Comics, HQ que marca a reunião de Locke com Gary Reed, um dos amorosos pais da criança adorada e hiperativa, chamada "Deadworld", da Caliber Comics.


Atualmente Vincent Locke mora com sua esposa e três filhos em Michigan, onde continua a desenhar e pintar, sua arte marcante e peculiar pode ser apreciada em http://vincelocke.com .

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"Você sabe quanto tempo se passou desde que perdi um livro? Bem, vamos apenas dizer que os continentes não estavam em suas formas atuais, não que isso signifique algo para você."

— Lucien

Sandman (Volume 2) #38

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